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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Design como pensamento estratégico para a sustentabilidade corporativa


Como designer e analista de sustentabilidade sempre recebo a mesma pergunta vinda dos empresários de diferentes setores: “Para que eu preciso de um designer se a minha empresa não projeta, nem desenvolve um produto físico? Eu trabalho com serviços, com o intangível!”
Como já me cansei de responder essa questão uma e outra vez, melhor escrever este artigo e quando alguém no futuro me perguntar, direcionarei a pessoa para este link!
Caro empresário brasileiro, o design acima de tudo, aporta para a sua empresa um “pensamento” estratégico – criativo, de inovação, independente se ela desenvolve produtos físicos ou não.
Esse pensamento estratégico gera novas, e aperfeiçoa as já existentes, vantagens competitivas da empresa no mercado e frente a seus concorrentes, na forma de novos modelos de negócios, novos serviços – experiências – percepções de sua empresa para o consumidor e etc.
Um exemplo conhecido é a Apple. Steve Jobs sempre foi um “design thinker” de primeira classe, ele sempre entendeu perfeitamente o valor e a aplicação do design como um pensamento estratégico – inovador para gerar inovação à todos os níveis possíveis, desde processos de engenharia (tangível)  até criação de novos estilos de vida (intangível)!
Sem o design, desde essa perspectiva, dificilmente produtos com Ipad, Iphone, e serviços derivados deles (Itunes) teriam surgido no mercado, criando infinitos novos mercados e conservando mercados já existentes.
Esta qualidade criativa e inovadora é algo natural, inerente ao designer, pela sua mesma formação profissional, leva-o a ter sempre uma visão e abordagem sistêmica sustentável e a capacidade de entender e integrar as diferentes disciplinas dentro de uma empresa.
O design é sempre um catalisador de inovações, a qualquer nível que seja aplicado!
O design é vital para que a empresa seja sustentável e inovadora em todas as suas dimensões (ambiental, social e econômica) funcionando também como um elemento unificador, criador e consolidador da cultura sustentável da empresa, em todos os níveis.
Frustrante verificar que comitês de sustentabilidade nas empresas, prêmios às melhores empresas sustentáveis, e até empresas certificadoras, não tem nenhum designer, afinal elas não produzem nenhum produto físico!
Mas tem que decidir o que é estratégico, sustentável e inovador!
Isso porque não entendem ou não conhecem o beneficio estratégico do design em um “contexto global corporativo”, e ainda acreditam muito erroneamente que um bom engenheiro especializado em gestão ambiental, processos, junto com administradores e financeiros “verdes” será mais do que suficiente para gerar novas dinâmicas sustentáveis internas e externas.
Sem o designer e a sua visão, as dinâmicas sustentáveis da empresa serão limitadas, conservadoras e de curto prazo. Ela será sustentável sem o designer, importante dizer, mas não terá todo o seu potencial mapeado, conhecido e explorado.
É hora do empresário brasileiro deixar para atrás essa visão obsoleta de que o design somente é necessário caso a empresa desenvolva produtos físicos. O design não existe mais apenas como um elemento físico – industrial para manufatura. Caso ele queira realmente ser sustentável e inovador, precisará sempre do design como pensamento para a inovação e sustentabilidade!
Já esta na hora do design ser percebido como um pensamento estratégico – criativo – inovador vital para a sua empresa, em todos os sentidos. Ele deve ter o seu respectivo lugar de destaque na busca da sustentabilidade empresarial brasileira neste século 21. Afinal, visões conservadoras e quadradas, em qualquer âmbito da ação humana, não podem gerar sustentabilidade criativa e muito menos inovação!
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Artigo retirado do blog Design Simples com autorização do autor.
Marcio Dupont é designer especializado em sustentabilidade ( design / consumo), segundo o blog , será um colaborador mensal.
Visitem o blog, vale a pena: http://www.designsimples.com.br/sustentabilidade-corporativa/

terça-feira, 17 de maio de 2011

André Trigueiro fala sobre Meio Ambiente e Sustentabilidade.

Programa FISCAIS DA NATUREZA  entrevista o repórter , professor universitário, palestrante e escritor Andre Trigueiro sobre questões atuais sobre meio ambiente e sustentabilidade.

Trigueiro fala da necessidade de se repensar o consumo, o analfabetismo ambiental e de suas  perspectivas sobre o futuro do planeta.




E aí pessoal, o que acharam da entrevista?

domingo, 24 de abril de 2011

Pra onde vai o lixo?

Quando retornei pra casa, estava exausto, cansado.
Eu havia subido e descido toda aquela montanha de lixo por mais de 6 horas seguidas, o cheiro que no início era sufocante, depois duas horas nem sequer o  sentia.
Sem falar no chorume. Havia mais chorume do que água e por todo lado que se olhava: chorume nos tanques e canais de captação , uma lagoa de chorume,  a estação de tratamento de chorume; chorume dentro do mangue no entorno da cota zero e por fim no carro pipa que para abaixar a poeira dos caminhões que circulavam sem parar , passava durante todo o dia espalhando uma mistura de água salgada bombeada da lagoa Rodrigues de Freitas com o chorume dos tanques de  captação.
Voltei a sentir aquele cheiro quando cheguei em casa. Minha calça , uma bota de couro e minha camisa, foram todos para um saco preto de lixo. Jamais usei novamente aquelas roupas!


Estava cansado e impressionado, se me peguntassem sobre o inferno, talvez poderia dar uma pista, mas dificilmente imaginaria algo pior do que aquele lugar para descrevê-lo.
 
Por outro lado, as pessoas estavam felizes de certa forma, trabalhavam como se fosse um emprego como outro qualquer, parecia uma grande linha de produção. Vendo por este lado,  não poderia então chamar aquilo de inferno!
Ai meu Deus, maldita pergunta que me fizeram naquele dia: Matheus , pra onde vai o lixo?


O dia inteiro procurando meu primo entre os catadores.
Depois de 6 horas já me sentia em casa, como um deles.
No ônibus de volta pra casa, eu só pensava em todo aquele cenário , minha cabeça estava girando, só conseguia enxergar lixo e  minha boca não parava de repetir baixinho aquela pergunta: Pra onde vai o lixo? Pra onde vai o lixo? Pra onde vai o lixo?


Eu sei, é trágico mas foi empolgante. Provavelmente , se eu voltar lá por mais algumas vezes posso começar, quem sabe , a ver a beleza da coisa e entender melhor como aquele povo todo vive dessa forma.


Única coisa que me desviava desses pensamentos era o simples fato que no dia seguinte teria prova de ciências, no primeiro tempo.
Será que vou ficar muito impressionado e não conseguir dormir? Esse é meu drama , pior que não conseguir estudar é não conseguir dormir no dia antes da prova; se assim for, sei que estarei um bagaço de laranja! Huuumm...bagaço não...ví uma menina pegando um bagaço dentro de um saco de lixo e do jeito que estava ela comeu...aargh...vai ser uma noite longa!


Quando cheguei em casa, senti algo diferente, tomei um banho frio e demorado, queria esfregar até a alma para tirar toda aquela sensação. Me preparei para comer algo, peguei o pão que sobrou de manhã, passei margarina, e quando fui ao quintal dei de cara com a lata de lixo.
Eu só queria um pouco de paz, mas fui surpeendido por algo ao olhar para aquela lata que reforçava os acontecimentos daquele dia:


-Respeito com o lixo!


Caraca, parecia que a lata falava comigo, quase dei uma gargalhada, mas comecei a pensar no respeito que eu deveria ter com o lixo a partir daquele dia!
Foi como um estalo, eu sabia que aquela viagem ao mundo do lixo mudaria minha vida , mas não sabia como essa mudança se daria , sabia que não poderia ser o mesmo, mas quando me vi frente a frente com o meu próprio lixo a coisa foi diferente:
-Respeito com o lixo! Mas como assim?


Pensei nas milhares de pessoas que vivem do meu lixo, tirando dele o sustento de suas famílias e trabalhando de forma tão precária, aí imaginei que se eu mesmo cuidasse melhor do meu lixo, com carinho e respeito, essas pessoas poderiam retirar dele o que lhes interessar de maneira mais fácil...


Por hoje chega...
Preciso dormir... amanhã tem prova.