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quinta-feira, 14 de julho de 2011

“Que nó precisa ser desatado no seu fazer pedagógico? Qual é o maior dificultador do trabalho em sala de aula?”

Antonio Luiz Miranda               

Desatamos nós o tempo todo;  uns mais elaborados, outros nem tanto.  Alguns nós, de alta complexidade, foram tramados há tanto tempo e com tanta dedicação, que a tarefa de desatá-los requer um esforço conjunto.

Às vezes, descobrir a ponta do nó pouco significa no processo, porque o laço é frouxo e, inacreditavelmente, quem deveria se ocupar de manter  o nó sob controle não mostra interesse em fazê-lo.  E se  é verdade que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco . . .

Um nó cego não desata.   Depende da paciência e da boa vontade de quem se propõe a desfazê-lo.  Se ao esbarrar no “obstáculo”, optarmos por desfiar queixas intermináveis, culpando sempre o outro e com isso paralisarmos nossa desejável e necessária intervenção, estaremos nos tornando mais que incentivadores:  cúmplices da cegueira.

Marinheiros são mestres em nós, daí a famosa expressão nó de marinheiro.  São nós validados pela força da instituição e, como é do conhecimento de todos, não há um modelo único de nó.  Para cada ocasião, um tipo.  A experiência de desatá-los é desafiadora e, muitas vezes, nos deixamos abater pelo fracasso eventual de uma ou outra tentativa.  No entanto, devemos insistir – tanto mar, tanto mar . . .

E o mar é uma imagem bem apropriada para o nosso fazer pedagógico.  Quem navega, aprende e ensina tanto em mar revolto como em calmaria.  Se  o barco ameaça virar, a gente se agarra, com força e fé, a uma corda.  Nessa hora é imprescindível que essa esteja bem firme, com um nó seguro.  Navegar é preciso, mas viver é preciso.